Entrevista com um
educador sobre dificuldades enfrentadas no exercício da função com alunos
portadores de deficiências físicas ou mentais
Nome
do entrevistado: Maria
Sueli do Nascimento Idade: 38 anos
Quantos
anos na profissão: 22 anos
Quantos
alunos na turma: 30
crianças
Faixa
etária: 06 á 14 anos
Escola:
Instituto Dona Ana Rosa (Organização sem fins
lucrativos)
Formação:
Pedagogia e Pós em Gestão Escolar
Questionário
Na
sua sala tem crianças especiais? Quais deficiências que apresentam essas
crianças?
Atualmente atendemos
uma jovem de 10 anos, com Síndrome de down
Já
trabalhou anteriormente com alunos portadores de deficiência?
Sim, crianças com déficit
de atenção e dislexia.
Quais os métodos que
utilizou para ajudar a criança na aprendizagem?
Primeiramente vale
ressaltar que por não sermos escola especializada com profissionais preparados
para trabalhar com crianças e jovens com questões especificas (deficiência),
temos dificuldades de preparar material apropriado e até mesmo entender as
reais necessidades e limitações. De inicio fazemos uma pesquisa da deficiência
e como contribuir no aprendizado, envolvemos a família (com informações de
nascimento, saúde, hábitos, limitações etc...). No dia a dia descobrimos as capacidades
e limitações no sentido de contribuir com a aprendizagem. Vale mencionar que a forma
usual de comunicação é a língua oral, porém utilizamos de recursos como mímica,
ilustrações e áudio para estabelecer uma comunicação significativa. Toda a sala
fica sabendo da deficiência e das limitações, a jovem recebe elogios dos
avanços e progressos, porém não chamamos atenção com algo que necessita ficar
atento.
Qual foi a maior
dificuldade?
Nós educadores não
apresentamos experiência especifica e muitas vezes agimos no intuitivo e
emocional. A maior dificuldade é interpretar as reais necessidades para
contribuir na formação e desenvolvimento do educando. O planejamento também é
um grau de dificuldade, porque devido ao pouco tempo de planejamento fica
difícil a flexibilidade e adaptações nas propostas de atividade.
Como docente, qual a
sensação de ter um aluno especial e saber que você esta ajudando-o a se
desenvolver cada dia melhor?
Poder explorar as
vivências das crianças com síndrome de Down muda nossos conceitos e visão de
aprendizagem, vibramos com cada conquista, cada olhar, cada gesto. Para a turma
de um modo geral traz o valor do respeito ao próximo de forma prática, pois é
uma ótima estratégia para trabalhar valores humanos. A criança socializa com a
turma da mesma forma e reivindica posturas dos demais colegas.
Conviver com o diferente desperta na gente o desejo do
autoconhecimento. Se meu colega tem esse ou aquele limite, quais são as minhas
limitações? Como posso melhorar? Percebemos um grau de amadurecimento por parte
de alguns.
Quais atividades
proporciona?
Participa de quase
todas as atividades, dinâmicas de grupo, desenhos e trabalhos manuais. A criança é estimulada a apresenta respostas cognitivas e
emocionais, sua avaliação é diferente, até porque acompanhamos as etapas de sua
evolução ao longo do ano, sempre o comparando com ele mesmo, dentro de suas
potencialidades.
Qual
a vantagem para um aluno sem deficiência estudar ao lado de uma criança com
deficiência?
Eu
diria que o ganho é mútuo, pois as outras crianças que convivem com outras
crianças com deficiência certamente se tonarão adultos mais tolerantes.
Como
é a participação dos alunos deficientes em suas aulas?
A
participação é diferenciada dos demais, porém muitas vezes nos surpreendemos
com a agilidade e grau de raciocínio em determinadas atividades. Jogos que
envolvem coordenação motora, jogo da memória, etc. A repetição de movimentos e
orientações se dá a todo momento.
Como
é desenvolvido o processo de avaliação com esses alunos?
Semestralmente e
gradativamente acompanhamos a evolução da criança. Devido o fato de temos
apenas um com deficiência possibilita um olhar mais atento à evolução na
aprendizagem.
O
que é educação inclusiva para você?
Educação Inclusiva é apoiar, compreender que
temos que criar várias formas de ensinar, tipo de educação que usa a integração
dos “alunos especiais” ao ensino regular, isto é incluí-los integralmente na
sociedade.
A
educação inclusiva para mim é onde todos os alunos tem o direito de estudar em
classes com alunos ditos normais sem distinção onde estes apenas recebem um
maior apoio com atividades diferenciadas.
O
professor está preparado para a inclusão?
A
formação de professores é um aspecto que merece ênfase quando se aborda a
inclusão. Muitos dos futuros professores sentem-se inseguros e ansiosos diante
da possibilidade de receber uma criança com necessidades especiais na sala de
aula. Aqui na Organização por se tratar de atividades socioeducativas, essa
insegurança não é tão temida, visto que podemos explorar outros recursos e
criatividade para inserção da criança com deficiência.
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