domingo, 24 de maio de 2015

Entrevista

Entrevista com um educador sobre dificuldades enfrentadas no exercício da função com alunos portadores de deficiências físicas ou mentais 



Nome do entrevistado: Maria Sueli do Nascimento                               Idade: 38 anos
Quantos anos na profissão: 22 anos
Quantos alunos na turma: 30 crianças
Faixa etária: 06 á 14 anos
Escola: Instituto Dona Ana Rosa (Organização sem fins lucrativos)
Formação: Pedagogia e Pós em Gestão Escolar
Questionário
Na sua sala tem crianças especiais? Quais deficiências que apresentam essas crianças?
Atualmente atendemos uma jovem de 10 anos, com Síndrome de down

Já trabalhou anteriormente com alunos portadores de deficiência?
Sim, crianças com déficit de atenção e dislexia.

Quais os métodos que utilizou para ajudar a criança na aprendizagem?
Primeiramente vale ressaltar que por não sermos escola especializada com profissionais preparados para trabalhar com crianças e jovens com questões especificas (deficiência), temos dificuldades de preparar material apropriado e até mesmo entender as reais necessidades e limitações. De inicio fazemos uma pesquisa da deficiência e como contribuir no aprendizado, envolvemos a família (com informações de nascimento, saúde, hábitos, limitações etc...). No dia a dia descobrimos as capacidades e limitações no sentido de contribuir com a aprendizagem. Vale mencionar que a forma usual de comunicação é a língua oral, porém utilizamos de recursos como mímica, ilustrações e áudio para estabelecer uma comunicação significativa. Toda a sala fica sabendo da deficiência e das limitações, a jovem recebe elogios dos avanços e progressos, porém não chamamos atenção com algo que necessita ficar atento.

Qual foi a maior dificuldade?
Nós educadores não apresentamos experiência especifica e muitas vezes agimos no intuitivo e emocional. A maior dificuldade é interpretar as reais necessidades para contribuir na formação e desenvolvimento do educando. O planejamento também é um grau de dificuldade, porque devido ao pouco tempo de planejamento fica difícil a flexibilidade e adaptações nas propostas de atividade. 

Como docente, qual a sensação de ter um aluno especial e saber que você esta ajudando-o a se desenvolver cada dia melhor?
 Poder explorar as vivências das crianças com síndrome de Down muda nossos conceitos e visão de aprendizagem, vibramos com cada conquista, cada olhar, cada gesto. Para a turma de um modo geral traz o valor do respeito ao próximo de forma prática, pois é uma ótima estratégia para trabalhar valores humanos. A criança socializa com a turma da mesma forma e reivindica posturas dos demais colegas.
Conviver com o diferente desperta na gente o desejo do autoconhecimento. Se meu colega tem esse ou aquele limite, quais são as minhas limitações? Como posso melhorar? Percebemos um grau de amadurecimento por parte de alguns.

Quais atividades proporciona?
Participa de quase todas as atividades, dinâmicas de grupo, desenhos e trabalhos manuais. A criança é estimulada a apresenta respostas cognitivas e emocionais, sua avaliação é diferente, até porque acompanhamos as etapas de sua evolução ao longo do ano, sempre o comparando com ele mesmo, dentro de suas potencialidades.

Qual a vantagem para um aluno sem deficiência estudar ao lado de uma criança com deficiência?  
Eu diria que o ganho é mútuo, pois as outras crianças que convivem com outras crianças com deficiência certamente se tonarão adultos mais tolerantes.

Como é a participação dos alunos deficientes em suas aulas?
A participação é diferenciada dos demais, porém muitas vezes nos surpreendemos com a agilidade e grau de raciocínio em determinadas atividades. Jogos que envolvem coordenação motora, jogo da memória, etc. A repetição de movimentos e orientações se dá a todo momento.

Como é desenvolvido o processo de avaliação com esses alunos?
Semestralmente e gradativamente acompanhamos a evolução da criança. Devido o fato de temos apenas um com deficiência possibilita um olhar mais atento à evolução na aprendizagem.

O que é educação inclusiva para você?
Educação Inclusiva é apoiar, compreender que temos que criar várias formas de ensinar, tipo de educação que usa a integração dos “alunos especiais” ao ensino regular, isto é incluí-los integralmente na sociedade.
A educação inclusiva para mim é onde todos os alunos tem o direito de estudar em classes com alunos ditos normais sem distinção onde estes apenas recebem um maior apoio com atividades diferenciadas.

O professor está preparado para a inclusão?
A formação de professores é um aspecto que merece ênfase quando se aborda a inclusão. Muitos dos futuros professores sentem-se inseguros e ansiosos diante da possibilidade de receber uma criança com necessidades especiais na sala de aula. Aqui na Organização por se tratar de atividades socioeducativas, essa insegurança não é tão temida, visto que podemos explorar outros recursos e criatividade para inserção da criança com deficiência. 


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